Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A Vida em Tópicos


“Você só sabe que é bom dormir porque é ruim acordar”
É uma mágica, assim como pipoca.
“No beijo as línguas agem”
Forma de comunicação – Linguagem
Família,
Sexo,
Acontecimentos recentes.
Ela deixou eu pegar na mão dela:
“Para todos pensarem que a gente namora”.
E quando aquele moço chegou,
Ela não a soltou.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Entre Viagens

O gente, to viva. Viva mesmo. Peguei a condução e fui... viver. Voltei, mais viva que nunca! Por que a vida tem dessas situações inusitadas que nem a física explica. É bem maior que ela. Tomar essas decisões precisa ter coragem demais; e tempo. Porque depois virou uma correria. Nós precisamos de paciência. Peço a Deus que me dê e vou vendo como que eu posso retribuir. Não ser afobada, ver meus sobrinhos crescerem devagarinho, reservar uns minutinhos pra ler revista, pra escrever também. Eu devia ter escrito pra Sarah. Mas escrever pra ela é difícil demais. Esses trem clichês, esses trem bobos. Só que as vezes eu paro e fico pensando nela. Eu não queria ter nada da Sarah, eu acho. A generosidade, o jeito de escrever, nem a determinação pra entrar na roupa eu queria. É que essas coisas, como a roupa, ficam melhor nela. Ela é autêntica, essa menina, e recebe os outros na casa dela de pijama mesmo, uai. Da Sarah eu gosto de ter a companhia por que ela fala de umas coisas que me faz rir e umas coisas bonitas (por mais que ela ache que não) sobre amor; e até compartilhamos um que é o amor pela cidade onde moramos. E cada vez mais eu amo a cidade onde ela mora. Vou lá, sou bem recebida. “Tem iogurte, comprei procêis!”. Ah, se fosse pra escolher alguma coisa da Sarah eu queria ter era a casa pra receber amigos. Não tenho. Mas o meu coração abriga um monte de gente. E é ruim demais receber pouca gente. Gosto de casa cheia. Pra fazer almoço no domingo, com suco de limão, milho e baralho pra digestão.
Nos domingos de manhã eu também queria conhecer as igrejas de BH. Queria chamar alguém pra ir à missa. Cada domingo numa igreja diferente. Pegar uns ônibus, ir pra uns bairros que poucos sabem onde ficam, só porque fui convidada pra comemorar o dia da padroeira. Conhecer os grupos de jovens, ser engajada e cogitar a castidade. Mas alguns hábitos eu perdi e dos antigos eu mantenho só o de beber café todo dia. É meu vício.
Se eu parar pra lembrar de quando imaginava eu jovem, isso não fazia parte mesmo não e, talvez, se analisarmos, nossa juventude esteja acontecendo, viu. Dá medo pensar na idade que já temos, nas responsabilidades que vieram com a idade e da postura responsável que não veio. Por que estamos na parte do jovem que já é adulto, sem se dar muita conta disso. A Bárbara me chama pra morar junto com ela e meu coração fica apertadinho, apertadinho. “Quero demais, moça!”, mas não vai ser nessa parte da juventude. Penso que talvez, sim, ela esteja acontecendo e da melhor maneira. Sem vícios em ilícitos, curtição de vida adoidado ou desespero, mas com a diversão de uma adedanha no fim de uma noite cansada e, ironicamente, a inocência se perdendo com brincadeiras. Uma fuga da realidade olhando pro mar duma pedra enquanto a inocência novamente se perde com um homem desejando o corpo de outro homem, quase nu, meio molhado. “Que que você estava pensando, Alice?” “Ah, tanta coisa!” e um suspiro. Suspirei também por que era tanta coisa mesmo. Mais do que já pensei nesses ônibus que eu pego...
Minha relação com ônibus é dúbia. Gosto e não gosto. Por que ônibus pra mim representa duas viagens. O deslocamento e a criatividade. Ele é a minha inspiração. Crio, imagino, converso comigo mesma, até rio alto do que penso. Já chorei também. E é bom. Eu sinto estar em paz com quem eu sou – pessoa lúdica que gosta de brincar, criar, imaginar. Quanto mais longa a vigem mais viagens acontecem. Porém, se o negócio é ônibus a noite, com a necessidade de dormir numa de suas poltronas desajustadas, eu passo. Começa a briga. Sento, deito, viro, não tenho colo, não tenho ombro, nem mão. Eu quero viajar pro Rio de Janeiro outra vez, mas quero ir durante o dia, igual eu fui pra São João Del Rey, reparando cada plaquinha das cidades que passávamos, cada igrejinha; cada folha de árvore. Pra ver se eu consigo conhecer direito esse meu Brasil. Familiarizar com a estrada, igual me familiarizei com o pedágio perto de Itaúna. Cidade que eu olho e penso que a Laura não está mais ali. Ela também já foi embora... Quero saber os nomes das rodovias e, quando for a hora, conseguir pegar a minha própria condução e sair de novo, sozinha, e ir... viver por mim mesma. Mas nesse dia, não sei se terei dia de voltar.