Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

domingo, 21 de junho de 2015

Ritmo

A vida estava assim, calma demais. Estava uma bossa nova, uma tarde de domingo, um baralho pra uma pessoa. Estávamos indo, esperando ela própria decidir o momento de cansar. Ela que manda, eu sou submissa, eu apenas recebo. E de repente, ela remexeu, sacudiu, e virou um funk, batida rápida. Outro jogo. A mudança súbita de ritmo me fez perder o passo e caí. Caí tropeçando, sem me machucar, mas com marcas. E tudo ficou instável. Uma incerteza e um medo constante de tudo se esclarecer. 
Tem dias que eu penso que as estrelas são infinitas. Tem dias que eu penso que as estrelas são passageiras e no dia seguinte elas não vão aparecer, tem dias que eu olho pro céu e me pergunto por que, mas por que elas ainda continuam lá? Será possível que elas não percebem que tudo mudou? E que nada continua do mesmo jeito, ou seja que amanhã será um dia igual?, isento.
Por isso se escreve, porque as coisas saíram do normal - olha o tempo que não bebo coca cola. O meu lápis de escrever, já quase sem ponta, só escreve bonito se for na parede. Que está esperando como uma pele nunca tatuada.
E essa vontade de ter experiências que não é saciado?
Ânsia.
E calma com um sorriso debochado (ou uma saudade?) no café da manhã naquele lugar. Uma desculpa, um agrado. A falta de reciprocidade gera resultados, uma aceitação: Joguei fora as flores que você me deu. Eram de plástico.
Quanto ao ritmo, talvez o cíclico seja o mais fácil. E o que todos dançam talvez não seja o que eu quero pra mim. Eu tenho o meu e estou bem com isso. Continuemos sem que eu precise limpar o batom da sua boca. Ou que o choro seja percebido enquanto o outro aproveita.
-Quando você sair pode deixar a luz apagada e a porta destrancada.