A vida estava assim, calma demais.
Estava uma bossa nova, uma tarde de domingo, um baralho pra uma pessoa.
Estávamos indo, esperando ela própria decidir o momento de cansar. Ela que
manda, eu sou submissa, eu apenas recebo. E de repente, ela remexeu, sacudiu, e
virou um funk, batida rápida. Outro jogo. A mudança súbita de ritmo me fez perder
o passo e caí. Caí tropeçando, sem me machucar, mas com marcas. E tudo ficou
instável. Uma incerteza e um medo constante de tudo se esclarecer.
Tem dias que eu penso que as estrelas
são infinitas. Tem dias que eu penso que as estrelas são passageiras e no dia
seguinte elas não vão aparecer, tem dias que eu olho pro céu e me pergunto por
que, mas por que elas ainda continuam lá? Será possível que elas não percebem
que tudo mudou? E que nada continua do mesmo jeito, ou seja que amanhã será um
dia igual?, isento.
Por isso se escreve, porque as coisas
saíram do normal - olha o tempo que não bebo coca cola. O meu lápis de
escrever, já quase sem ponta, só escreve bonito se for na parede. Que está
esperando como uma pele nunca tatuada.
E essa vontade de ter experiências que
não é saciado?
Ânsia.
E calma com um sorriso debochado (ou
uma saudade?) no café da manhã naquele lugar. Uma desculpa, um agrado. A falta
de reciprocidade gera resultados, uma aceitação: Joguei fora as flores que você
me deu. Eram de plástico.
Quanto ao ritmo, talvez o cíclico seja
o mais fácil. E o que todos dançam talvez não seja o que eu quero pra mim. Eu
tenho o meu e estou bem com isso. Continuemos sem que eu precise limpar o batom
da sua boca. Ou que o choro seja percebido enquanto o outro aproveita.
-Quando você sair pode deixar a luz
apagada e a porta destrancada.