Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

domingo, 12 de julho de 2015

A fim de que: metas.


Mais uma vez eu falo da perfeição. Da sua busca com intenção de não ficar parado. E a sua impossibilidade de ser alcançada a fim de que nunca estejamos saciados. “Quem é completo não deseja.” Umas perfeições pequenas para chegar em algo maior. Ainda que não saibamos muito bem o que procuramos ou ainda que só continuamos isso que começamos pra ver no que vai dar, sem muita confiança de que dê algo bom. Somos essa juventude que sabe o que quer e sabe o que não quer também. Temos os nossos objetivos finais: mudar a história da família; provar para os outros que podemos ser diferentes; fazer com que toda a vida tenha um eixo, sem muita contradição; exigir dos empregados que escolham uma suíte individual numa viagem para Itália. Eu só quero não ter que casar.
Mesmo sendo o movimento incessante a realidade desse agora, há a necessidade de uma pausa para descanso. Descanso calmo para readquirir as habilidades de respirar e de contar até dez. Uma escapada da nossa rotina para relembrarmos porque quisemos estar nela. Acordar sem saber que horas são e deixar o celular de lado pra aprender a descascar abacaxi.
O ideal mesmo é que haja metas. E que haja pausas sempre que elas forem alcançadas. Alcancei um vento no rosto sem ter o cabelo bagunçado, foi o que eu alcancei. Isso por que agora meu cabelo é curto. Alcancei uma liberdade, sem desespero para vivê-la. Alcancei oportunidades e experiências. Finalmente naveguei no barco que por tanto tempo construí. Agora só estou perdida mesmo é que tenho pouco tempo pra traçar metas até a próxima pausa programada. Sem falar que o cansaço do qual eu venho produziu certo desinteresse.
Devia namorar porque combina mais comigo; devia aprender a nadar e tocar um instrumento, para não pensar que minha infância foi de toda isenta; devia praticar um esporte para ser saudável; aprender sobre política, educação, futebol, crise mundial, para expandir os assuntos com os meus amigos versáteis; aprender inglês, francês, para conversar com o mundo. Mas está tudo muito mecânico.
Vamos da faculdade para a casa e nem uma rota nova experimentamos. Servimos metodicamente o arroz primeiro, depois o feijão, sem a curiosidade de experimentar inverter a ordem.
Subverter as regras em forma de protesto pode ser só comer de colher.
Fugir à regra pode dar trabalho, então há tanta gente parada. E se cala para não arrumar desavenças com os outros, só consigo mesmo. Por que foi assim com o avô, foi assim, e será assim, sem dar certo.
Por eu ter sido criada muito tradicionalmente e não ser muito tradicional, tenho essas tristezas assim, paradoxais. Fico pensando no medo que sentirei ao levar minha filha em uma festa [pro mundo perder], ao mesmo tempo que acho que nem mãe serei. Mais próximo, fico pensando que dia eu vou pedir pros meus sobrinhos pararem com essa bobeira de me chamar de senhora, apesar de achar um respeito bonitinho.
Tenho motivos para agradecer ambas as partes por me influenciarem, mas quero ter a minha autonomia. Quero ter poder de persuasão e saber analisar discursos. Quero saber como conseguir falar em público e ainda quero fazer minha viagem por Minas. Quero conseguir andar sozinha em uma cidade nova
E um verso avulso que encontrei perdido por ai dizia que

ou eu não estou pronta pra amar