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| Foto: Wesley Villagrán |
Eu sou mesmo essa contradição que mantém duas conversas em mensagens instantâneas e enquanto falo para uma pessoa "fica com Deus" para outra eu falo de modo que fique é com desejo
Eu
falo pra uma pessoa que estou escrevendo sobre ela. Assim, na cara dura e como um pintor pede para a pessoa não se mover para conseguir
registrar aquele momento. Acontece que as pessoas não são estáticas. Pra me
irritar são inconstantes. Elas são multiformes e mesmo assim eu seleciono as
palavras pra definir, limitar naquele espaço de significação, e ver se consigo
ser artista
E
não ficar de fora dessa mesa. Você? Ah, eu sou cantor. Eu toco. Eu movimento o
corpo. Eu faço um oral que é uma beleza. Tudo artista! Eu escrevo. Não estou
falando que é bom nem que gostem. Só que é arte. E aquele que sozinho aprendeu
uma outra língua ou a iluminar a casa? Não é um artista?
Tem
muita gente tendo as mesmas ideias de diferenças e acabam sendo iguais demais.
E eu com essa mania de querer se identificar, não me identifico. E estou certa
de que estou vivendo de maneira errada: está
faltando algumas paixões efetivas aqui. Não sei o que é pior: se ter esse
sentimento mais bobo que o normal ou esse sentimento ter um nome pra gente
saber o que tem. Platonismo, é.
Não,
não, Machado de Assis. Nenhuma Carolina conseguirá comprar a paixão.
Nem
os cubos serão tão mágicos
Mas,
uma paixão só eu não consigo. Não consigo. Se me quiserem, já me levem usada,
ou diria, com defeito.
A
cidade natal que é terra seca, infértil, não produziu sentimentos assim; enquanto
que qualquer outra me reapaixona constantemente
Esse
é o momento que eu falo de Diamantina. E como queria falar assim: abertamente.
Sem metáforas ou ideias confusas que só fazem sentido pra mim mesma (e que
bastam em sua confusão). Queria, mas a as lendas dos diamantes ou a lenda da
Xica não permite que seja algo sem mistério. Mas eu falo
Da
vida que me foi resgatada. A paixão serve pra mostrar que está vivo e
Diamantina me reviveu. Porque as pedras e as ladeiras já contam algumas
histórias (ousadas, até), mas a gente queria fazer a nossa, e ter várias pra
contar. Seja sentados em frente ao número quatro para aproveitar o sol, cumprimentando quem passasse, seja tendo, primeiramente, uma boa noite. A simplicidade do
interior de comer assistindo televisão e a modernidade de bares frequentados
por pessoas bonitas pode sim pertencer a uma mesma cidade. E pode sim tirar da
realidade quem não se permite muito, se tiver sóbrio.
No
caminho havia alguns moinhos de vento, mas deve que eram dragões e eu, ainda, com
meu excesso de falsa realidade não enxerguei direito. E o redemoinho que me veio
trazer a notícia de que seria uma boa viagem era o Saci.
Esse eu reconheci. E sorri, porque acreditei.
Como
estudante da área que sou, preciso comentar que o falar diamantinense é
indefinido como o nosso horário pra voltar pra casa. É "casa de
fulano" "filho de alguém" nunca com artigo definido.
Essa
cidade foi o intervalo entre os cronogramas. Novas visões sobre uma arquitetura
e um novo parceiro pra conversar sobre artistas e os anos de cada novela. Viu?
Muitas coisas foram resgatadas e nenhuma tradição precisa ser seguida se não
agrada.
Prefiro
assim, ir acumulando inquietudes até uma nova cidade me encantar, me acalmar,
me apaixonar e me chamar pra ficar. E eu recusando até um dia eu aceitar e
poder dizer com a convicção do sentido que a preposição oferece, assim mesmo,
sem muita formalidade:
T'inquiètes
pas. Je suis chez moi
