Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

domingo, 23 de agosto de 2015

Para falar sobre Diamantina

Foto: Wesley Villagrán

Eu sou mesmo essa contradição que mantém duas conversas em mensagens instantâneas e enquanto falo para uma pessoa "fica com Deus" para outra eu falo de modo que fique é com desejo
Eu falo pra uma pessoa que estou escrevendo sobre ela. Assim, na cara dura e como um pintor pede para a pessoa não se mover para conseguir registrar aquele momento. Acontece que as pessoas não são estáticas. Pra me irritar são inconstantes. Elas são multiformes e mesmo assim eu seleciono as palavras pra definir, limitar naquele espaço de significação, e ver se consigo ser artista 
E não ficar de fora dessa mesa. Você? Ah, eu sou cantor. Eu toco. Eu movimento o corpo. Eu faço um oral que é uma beleza. Tudo artista! Eu escrevo. Não estou falando que é bom nem que gostem. Só que é arte. E aquele que sozinho aprendeu uma outra língua ou a iluminar a casa? Não é um artista?
Tem muita gente tendo as mesmas ideias de diferenças e acabam sendo iguais demais. E eu com essa mania de querer se identificar, não me identifico. E estou certa de que estou vivendo de maneira errada: está faltando algumas paixões efetivas aqui. Não sei o que é pior: se ter esse sentimento mais bobo que o normal ou esse sentimento ter um nome pra gente saber o que tem. Platonismo, é.
Não, não, Machado de Assis. Nenhuma Carolina conseguirá comprar a paixão.
Nem os cubos serão tão mágicos
Mas, uma paixão só eu não consigo. Não consigo. Se me quiserem, já me levem usada, ou diria, com defeito.
A cidade natal que é terra seca, infértil, não produziu sentimentos assim; enquanto que qualquer outra me reapaixona constantemente
Esse é o momento que eu falo de Diamantina. E como queria falar assim: abertamente. Sem metáforas ou ideias confusas que só fazem sentido pra mim mesma (e que bastam em sua confusão). Queria, mas a as lendas dos diamantes ou a lenda da Xica não permite que seja algo sem mistério. Mas eu falo
Da vida que me foi resgatada. A paixão serve pra mostrar que está vivo e Diamantina me reviveu. Porque as pedras e as ladeiras já contam algumas histórias (ousadas, até), mas a gente queria fazer a nossa, e ter várias pra contar. Seja sentados em frente ao número quatro para aproveitar o sol, cumprimentando quem passasse, seja tendo, primeiramente, uma boa noite. A simplicidade do interior de comer assistindo televisão e a modernidade de bares frequentados por pessoas bonitas pode sim pertencer a uma mesma cidade. E pode sim tirar da realidade quem não se permite muito, se tiver sóbrio.
No caminho havia alguns moinhos de vento, mas deve que eram dragões e eu, ainda, com meu excesso de falsa realidade não enxerguei direito. E o redemoinho que me veio trazer a notícia de que seria uma boa viagem era o Saci. Esse eu reconheci. E sorri, porque acreditei.
Como estudante da área que sou, preciso comentar que o falar diamantinense é indefinido como o nosso horário pra voltar pra casa. É "casa de fulano" "filho de alguém" nunca com artigo definido.
Essa cidade foi o intervalo entre os cronogramas. Novas visões sobre uma arquitetura e um novo parceiro pra conversar sobre artistas e os anos de cada novela. Viu? Muitas coisas foram resgatadas e nenhuma tradição precisa ser seguida se não agrada.
Prefiro assim, ir acumulando inquietudes até uma nova cidade me encantar, me acalmar, me apaixonar e me chamar pra ficar. E eu recusando até um dia eu aceitar e poder dizer com a convicção do sentido que a preposição oferece, assim mesmo, sem muita formalidade:
T'inquiètes pas. Je suis chez moi


domingo, 9 de agosto de 2015

Sobre um Sábado


Eu te olho e sinto a extrema 
necessidade de sentir seu rosto,
desarrumar seu cabelo e rasgar sua roupa
Sentir me arranhando, as
unhas que você olha, distraída,
na pura prática de ser você

Quero te comer,
te chupar, te causar arrepios e
deixar marcas.
Preciso da sua cintura pesada numa mão e a nuca em outra.
Enquanto te encosto na parede
Numa tentativa de fusão