Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Uma carta de amor para Sarah


Querida Sarah, eu já devia ter revelado abertamente, desde o início, que meu blog foi feito para você e não apenas deixar subentendido em cada postagem ou em cada diálogo indireto com seus textos.
Faço agora.
Por que, primeiramente, assumimos que somos almas gêmeas da escrita e, agora, por que constatamos que somos almas gêmeas do amor, decidimos nos casar e fazer a união dessas almas separadas no nascimento, permitindo a elas, agora, viverem suas etapas e crescerem juntas.
Um amadurecimento e todas as conquistas juntas por que não é fácil se sentir sozinho, não é? Pensar que talvez ninguém notaria nossas ausências se decidíssemos sumir por alguns dias... já que não sabemos direito aonde ficam nossas casas e não há ninguém que entenda esses nossos horários corridos. Por isso iremos nos juntar. Pra termos esse cuidado mútuo.
Eu queria ser essa pessoa que vive um amor bonito e não essas misérias. Nem que fosse uma paixão, mas recíproco. E fazer coisas que engrandecem a alma por que fico me sentindo vazia toda vez que não me permito atravessar a rua sem ser na faixa. E deve ser muito melhor quando é reciproco. Nunca falei de namoro e sim de uma entrega mútua com assumo de riscos. O que a metáfora do casamento assume.
A vida é muito solitária, Sarah, faz falta isso. São fases. E a nossa de algum tempo atrás se desfez ao percebemos essas buscas vazias de prazeres efêmeros. E começamos a sentir preguiça dessas obrigatoriedades pós funk e porres. Se você fosse lá, conversasse sobre a vida, conhecesse um pouco, tivesse a oportunidade de conhecer mais e depois beijar, seria legal. Por isso que eu falo, nem monogamia eu gosto muito, porque gosto de ter a opção de conhecer outras pessoas, apesar de ser muito ciumenta e de odiar a ideia de que podem ser felizes sem mim.
Que um dia, então, possamos atingir o grau de maturidade nesse nosso amor, para que não precisemos estarmos a sós. Apenas ter esse sentimento que é tão bom: querer conhecer mais uma pessoa e gostar do que vai acontecendo, cuidar dela, sofrer com os problemas dela mais do que com os seus. Ter não uma individualidade, mas uma recorrência.
Não estou sofrendo por ninguém, estou sofrendo por situações. Mas acho que não se deva privar de sofrimento. Se você tiver sofrendo por alguém, sabe, Sarah, que sofra por alguém. Não precisa demonstrar falsa força.
Ainda não derramamos lágrimas. E esse é nosso encontro pra poder chorar de amor ou da falta dele. Pra poder consumar a promessa de virada de ano. E a carta é essa, minha amiga, minha pré esposa, minha autora favorita, essa é a carta sobre o mundo que não nos entende e sobre uma conversa despretensiosa, mas muito cheia de poesia.
Até breve!

Com muito amor, da sua Cássia.