O silêncio me perturba.
Ficar parada por muito tempo me desestabiliza. Quando ouço a musica que gosto,
me sobressalto. Não sei o que da vontade de fazer, mas ficar parada me
incomoda. Tenho vontade de me reinventar. Sempre achei que para isso precisaria
me desligar do meu passado e começar uma coisa diferente, mais interessante. O
que me deixaram de contar foi que os sonhos têm prazo de validade. E ai, meu
Deus, respondi errado à professora. “Pardon madame, je m'appelle Sonhadora”. Os
planos foram minuciosamente calculados. Ainda bem que não sou engenheira por
que devo ter me esquecido de considerar alguma teoria e algo saiu errado, então
só assim aprendi. Entendi que o passado e o presente não podem ser desligados
por que eles estão em mim. E não tem como eu viver sem eles.
Hoje eu encontrei Deus.
Ele estava no horizonte. Os horizontes são feitos de passos. E eu gosto de
caminhar. Principalmente quando as pernas já sabem o caminho. Prefiro não
depender de ninguém que assim ninguém depende de mim. É melhor, melhor que não
tenham que lidar com a minha inconstância. Não sou confiável, aviso. Não por
que minto, mas por que mudo de opinião na mesma facilidade que escrevo. Sou uma
vela e o fogo não me permite ser a mesma.
Chega a noite os
pensamentos condensados meio que se derretem e você coloca a culpa na mente
vazia. Mas ocupar a mente é uma forma de fuga também. E vai deixando, vai
acumulando e como em um relógio, em algum momento, o ponteiro maior passa pelo
doze novamente. É aí que você tem que parar, por que a vida é igual um ônibus:
são necessárias algumas paradas. Então quando está tudo muito cheio é melhor
descer. Deixar que sigam viagem enquanto você vai esperar o próximo. Por que
cada um tem seu tempo e seu destino. Mas não se pode parar em qualquer lugar.
Existem os pontos pré estabelecidos. E aqui é um deles. O ponto de ônibus. O
nosso ponto de ônibus, específico pra quem simplesmente não consegue seguir
essa viagem sem algumas escalas.

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