Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sobre a Chuva



Que saudade de correr na chuva que eu tava! “Vai sair com essa chuva pra cair, menina?”. Lá fui eu encontrar com ela. Quando encontrei tive medo e voltei correndo. Ela me pegou. Corri mais rápido. Fechei os olhos, corri, não precisaria parar. Não foi igual ao dia que fugi de bicicleta, mas senti as gotas no rosto e respirei como há muito não respirava.
Os últimos dias tem sido a pão e água. Gosto da liberdade de escolher. Gosto da liberdade. Prefiro a solidão quando opto por ela. E a saudade boa mesmo é quando você sente falta daquilo que sabe que vai ter de novo; o resto é tortura. Que saudade de pedir hambúrguer. Já pararam pra pensar que genial isso de delivery? Você liga... Eles entregam! Em casa... Genial!
As tréguas do ócio eu encontro nesses contatos com pessoas. O primeiro abraço do ano foi em quem não gosta de abraço. Ou quem aprendeu a gostar. O ano começou com um selinho triplo de meninas! Três meninas, meu Deus! O ano começou com poucas saudações. Pra uns eu desejei trepadas, pra outros farras, pra outros dinheiro, sucesso, saúde, paz, felicidades. Pra mim, amigos. Eu desejo o que eu acho ser melhor pra eles, mas eu... Eu vivo por eles.
O ano terminou com algumas verdades se expondo. “Eu perdi o meu medo da chuva!”. E assumo, quando eu digo que eu não tenho medo da morte é mentira. Mas meu medo é de morrer sozinha, sabe, sem ninguém pra contar pros outros como aconteceu, sem ninguém pra eu olhar pela última vez e pensar que amei – besteiras! Meu medo é da solidão, na verdade. Medo de não amar. A solidão é uma morte pra mim: tenho medo mas corro em sua direção. É como a chuva. O não-amor também. A verdade é: quando eu omito, desvio o olhar. Se querem me ajudar, prendam meu olhar. Escrevam sobre mim.
Agora minhas unhas estão grandes e bonitas e eu nem sei por que eu quis isso. Meu cabelo já nem é o mesmo. As pessoas vão sendo felizes sem mim... Os raciocínios não seguem uma linha. 

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