Ando
estudando sobre poesia esse semestre. Muita teoria, claro. Uma dessas teorias
diz que a poesia em si está por aí, e você, enquanto receptor, a percebe e
define o quanto aquilo é poético e como brindar com alguma arte, de alguma
forma. É só uma das teorias, uma das. Acho que foi isso que aconteceu nesses
últimos dias. Eu sentia a poesia nas coisas, mas acredito que não conseguiria
transformar a poesia das coisas em poesia das palavras. Não soube, ou não quis,
transformar em poesia escrita a poesia que sinto todo dia quando acordo e olho o
céu pela janela pensando se pode chover, pra decidir se deixo a janela aberta
enquanto estou fora – e a poesia de, mesmo sem concluir nada, eu já ter
aprendido a sempre deixar a janela aberta pra arejar meu quarto. A essência ficaria,
e não seria poético.
Estava
no ônibus num desses dias de absorção poética e entrou um vendedor de jujuba
fantasiado de palhaço. Que palhaçada pensei e abaixei pra rir da besteira
recorrente. O palhaço nas suas palhaçadas, pensei também, é pra chamar atenção
das crianças. Marketing. A mãe comprou o que o filho queria e a mãe teve prazer
de satisfazer a vontade do filho. Nunca fui, nunca quis ser mãe, até então, até
sentir a necessidade dessa felicidade generosa. Desci do ônibus ali perto da
pracinha e vim observando as mães com os filhos num fim de tarde, brincando com
eles e com o cachorro que buscava obediente a bolinha que mandavam buscar. Aí
então, a poesia estava em ser mãe. Liguei pra minha e ela me deu uma das
maiores felicidades dos últimos dias, simplesmente me contando que estava
feliz. (A poesia estava em ser filha). Enquanto me deliciava com as criancinhas
e suas mães, me deparei com uma criança fantasiada de palhaço. Nada de
palhaçada. E sim uma das coisas mais fofas que podia ter. Deve ser dia do palhaço,
pensei. Era o dia do Circo, descobri, e tudo do dia fez muito sentido. Assim
como ter tido o dia da poesia alguns dias antes.
Pela
leveza que vou encontrando nesses dias, eu “cansei de carregar milhões de medos
das pessoas que me cercam e me pesam de agonia”; foi o que me libertou para querer
conhecer mais pessoas. E querer viver a poesia mínima. Ir numa festa a noite,
beijar uma boca macia, ter mão na cintura, levar alguém em casa, entrar pra ver
um filme, comer pipoca, brigadeiro, pizza caseira, dançar forró, ir no vizinho ‘bater
papo’ ...
Sigo
tendo os meus dias de não me importar muito com as regras, com os deveres, com
as responsabilidades, em agradar, em conquistar. Escrevendo uma frase com
inversão de integrantes sem colocar vírgulas e divulgando textos como esse.
Dos
dias mais poéticos o melhor foi o dia que estava escrito repenso e eu li
dispenso.
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