Mais uma vez eu falo da
perfeição. Da sua busca com intenção de não ficar parado. E a sua
impossibilidade de ser alcançada a fim de que nunca estejamos
saciados. “Quem é completo não deseja.” Umas perfeições pequenas para chegar em
algo maior. Ainda que não saibamos muito bem o que procuramos ou ainda que só
continuamos isso que começamos pra ver no que vai dar, sem muita confiança de
que dê algo bom. Somos essa juventude que sabe o que quer e sabe o que não quer
também. Temos os nossos objetivos finais: mudar a história da família; provar
para os outros que podemos ser diferentes; fazer com que toda a vida tenha um
eixo, sem muita contradição; exigir dos empregados que escolham uma suíte
individual numa viagem para Itália. Eu só quero não ter que casar.
Mesmo sendo o movimento
incessante a realidade desse agora, há a necessidade de uma pausa para
descanso. Descanso calmo para readquirir as habilidades de respirar e de contar
até dez. Uma escapada da nossa rotina para relembrarmos porque quisemos estar
nela. Acordar sem saber que horas são e deixar o celular de lado pra aprender a
descascar abacaxi.
O ideal mesmo é que haja
metas. E que haja pausas sempre que elas forem alcançadas. Alcancei um vento no
rosto sem ter o cabelo bagunçado, foi o que eu alcancei. Isso por que agora meu
cabelo é curto. Alcancei uma liberdade, sem desespero para vivê-la. Alcancei
oportunidades e experiências. Finalmente naveguei no barco que por tanto tempo
construí. Agora só estou perdida mesmo é que tenho pouco tempo pra traçar metas
até a próxima pausa programada. Sem falar que o cansaço do qual eu venho
produziu certo desinteresse.
Devia namorar porque
combina mais comigo; devia aprender a nadar e tocar um instrumento, para não
pensar que minha infância foi de toda isenta; devia praticar um esporte para
ser saudável; aprender sobre política, educação, futebol, crise mundial, para
expandir os assuntos com os meus amigos versáteis; aprender inglês, francês,
para conversar com o mundo. Mas está tudo muito mecânico.
Vamos da faculdade para a
casa e nem uma rota nova experimentamos. Servimos metodicamente o arroz
primeiro, depois o feijão, sem a curiosidade de experimentar inverter a ordem.
Subverter as regras em
forma de protesto pode ser só comer de colher.
Fugir à regra pode dar
trabalho, então há tanta gente parada. E se cala para não arrumar desavenças
com os outros, só consigo mesmo. Por que foi assim com o avô, foi assim, e será
assim, sem dar certo.
Por eu ter sido criada
muito tradicionalmente e não ser muito tradicional, tenho essas tristezas
assim, paradoxais. Fico pensando no medo que sentirei ao levar minha filha em
uma festa [pro mundo perder], ao mesmo tempo que acho que nem mãe serei. Mais
próximo, fico pensando que dia eu vou pedir pros meus sobrinhos pararem com
essa bobeira de me chamar de senhora, apesar de achar um respeito
bonitinho.
Tenho motivos para
agradecer ambas as partes por me influenciarem, mas quero ter a minha
autonomia. Quero ter poder de persuasão e saber analisar discursos. Quero saber
como conseguir falar em público e ainda quero fazer minha viagem por Minas.
Quero conseguir andar sozinha em uma cidade nova
E um verso avulso que
encontrei perdido por ai dizia que
ou eu não estou pronta pra
amar
Só felicidades pra você, Cassinha :) E se vier as tristezas, deixa elas entrarem, sem bagunçar demais a sua casa, mas faça-as sentar e conversar. As pausas da vida, são essas que dão o movimento :) lindo, lindo
ResponderExcluirPausas de beleza, é te ler <3
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