Ela
rodopiava e se exibia no meio do salão. Girava os braços e falava alto.
Enquanto a multidão se aglomerava ao seu redor. E eu, num canto, com ombros
caídos, assistia, sem participar, ao espetáculo que ela produzia. Ela me
chamava, eu ia, obediente. Me passava o cachecol de seda, me enlaçava, me dava
um beijo no pescoço, e eu tinha o meu momento, sem saber qual conclusão tiravam
sobre mim. E, quando ela me soltava, eu não ia atrás, ficava esperando ela me
chamar outra vez por que não sabia o que ela queria que eu fizesse. Ficava
esperando e rindo do quão à vontade ela estava. É uma criança, eu pensava, que
gosta de chamar a atenção e não sabe ficar parada. E eu, uma tímida, que
sonhava ser atriz da nossas vidas, naquele momento apenas querendo ser protagonista
com ela.