Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Cenário

Ela rodopiava e se exibia no meio do salão. Girava os braços e falava alto. Enquanto a multidão se aglomerava ao seu redor. E eu, num canto, com ombros caídos, assistia, sem participar, ao espetáculo que ela produzia. Ela me chamava, eu ia, obediente. Me passava o cachecol de seda, me enlaçava, me dava um beijo no pescoço, e eu tinha o meu momento, sem saber qual conclusão tiravam sobre mim. E, quando ela me soltava, eu não ia atrás, ficava esperando ela me chamar outra vez por que não sabia o que ela queria que eu fizesse. Ficava esperando e rindo do quão à vontade ela estava. É uma criança, eu pensava, que gosta de chamar a atenção e não sabe ficar parada. E eu, uma tímida, que sonhava ser atriz da nossas vidas, naquele momento apenas querendo ser protagonista com ela.

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