-A melhor forma de morrer é em cima de um palco.
É que dá medo de passar despercebido por essa vida que Deus
nos deu. Jogar o próprio nome na internet e ver que um nadinha de um cara que
tem o mesmo nome que você aparece em resposta por que nem morrer ele soube.
Caiu de um viaduto o desgraçado. Ali na Pampulha, lugar que eu passo todo dia e
eu mesmo poderia ter passado e me jogado. Mas é que é isso, até pra morrer a
gente tem que saber.
-Eu não tenho medo da morte. Tenho medo de sofrer antes de
morrer.
As minhas loucuras são tão milimetricamente planejadas que
uma hora isso vai dar merda. A ousadia segue um limite de flexão. Ela flexiona
mas não deriva. Não é independente, não é maior do que eu. É imposta,
calculada. Essa liberdade é ilusão. Ainda estou presa. Presa por esses medos
mesquinhos que não me permitem pegar uma trilha sem rumo por não saber se só a
morte me espera. Quem me dera morrer, simplesmente.
-Tem tanta coisa que eu quero viver.
Porque a vida é uma só pra mim, que não acredito no que esse
povo fala. Esse povo de microfone na mão exaltando possíveis obrigações que eu
não tenho responsabilidade pra cumprir. Minha fé é em Deus e ele não vai me
permitir outras vidas. É muito melhor ser raro. Então se é uma só é muito
triste não poder experimentar, é triste ser só uma. Já perdi as contas de qual
sou agora. A vida é essa peculiaridade que nos permite não ser definitivo.
-Seria bom se a gente tivesse a garantia de morrer em paz
Queria tanto que fosse verdade. Queria tanto poder acreditar
que existe outras vidas, uma força maior, queria muito que fosse verdade pra eu
ter em que acreditar. Eu precisaria de comprovações pra isso. Assim prefiro não
ser bem aventurada. Como acreditar não culmina em ser bom, prefiro continuar
com a minha perfeição questionável.
-Eu quero uma plenitude.
Há tantas experiências rasas assim como algumas pessoas.
Algumas excelências você só consegue alcançar em sintonia com a outra. Alguns
orgasmos. Estar em busca de uma plenitude requer paciência. Eu sou louca com a
capacidade de esvaziar a mente. Quem consegue, alcança uma das plenitude.
Há formas alucinógenas de se sentir pleno e apto. Experimentar só é válido
com um propósito.
-Eu já busco a perfeição.
Acredito que sim a gente consegue ser perfeito. Se isso é
exigência eu não sei. Se eu vou conseguir eu não sei. Mas a busca me faz não
ficar parado e se algo tangenciar essa ideia de perfeição eu já terei ido muito
além do que muita gente. E isso de saber mais me agrada. É bom ser alguma
coisa. O movimento é o que me mostra que estou viva.
-O amor
Eu não me amo todos os dias e não é possível amar ao outro
todos os dias. O que não é admissível é amar só uma pessoa de cada vez. Não sei
como funciona o amor depois da morte, ou se funciona de alguma forma. Então é
perda de tempo se limitar. Atrás da porta de algum banheiro está escrito que a
gente ama à alma da pessoa e aí ninguém sabe se a alma tem gênero. Talvez
continuemos amando as almas depois da morte.
-Conhecer pessoas é o que me fascina. Ouvir opiniões que são
abertas a discussões é tão tranquilizante que as opiniões absolutas eu
dispenso. Não sei o que sou agora, mas sinto que estou no caminho certo pra me
definir. Enquanto isso considero válidas todas as formas de amar. Nenhuma ideia me parece
estranha.
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