O gente, to viva.
Viva mesmo. Peguei a condução e fui... viver. Voltei, mais viva que nunca! Por
que a vida tem dessas situações inusitadas que nem a física explica. É bem
maior que ela. Tomar essas decisões precisa ter coragem demais; e tempo. Porque
depois virou uma correria. Nós precisamos de paciência. Peço a Deus que me dê e
vou vendo como que eu posso retribuir. Não ser afobada, ver meus sobrinhos
crescerem devagarinho, reservar uns minutinhos pra ler revista, pra escrever
também. Eu devia ter escrito pra Sarah. Mas escrever pra ela é difícil demais.
Esses trem clichês, esses trem bobos. Só que as vezes eu paro e fico pensando
nela. Eu não queria ter nada da Sarah, eu acho. A generosidade, o jeito de
escrever, nem a determinação pra entrar na roupa eu queria. É que essas coisas,
como a roupa, ficam melhor nela. Ela é autêntica, essa menina, e recebe os
outros na casa dela de pijama mesmo, uai. Da Sarah eu gosto de ter a companhia
por que ela fala de umas coisas que me faz rir e umas coisas bonitas (por mais
que ela ache que não) sobre amor; e até compartilhamos um que é o amor pela
cidade onde moramos. E cada vez mais eu amo a cidade onde ela mora. Vou lá, sou
bem recebida. “Tem iogurte, comprei procêis!”. Ah, se fosse pra escolher alguma
coisa da Sarah eu queria ter era a casa pra receber amigos. Não tenho. Mas o
meu coração abriga um monte de gente. E é ruim demais receber pouca gente.
Gosto de casa cheia. Pra fazer almoço no domingo, com suco de limão, milho e
baralho pra digestão.
Nos domingos de
manhã eu também queria conhecer as igrejas de BH. Queria chamar alguém pra ir à
missa. Cada domingo numa igreja diferente. Pegar uns ônibus, ir pra uns bairros
que poucos sabem onde ficam, só porque fui convidada pra comemorar o dia da
padroeira. Conhecer os grupos de jovens, ser engajada e cogitar a castidade.
Mas alguns hábitos eu perdi e dos antigos eu mantenho só o de beber café todo
dia. É meu vício.
Se eu parar pra
lembrar de quando imaginava eu jovem, isso não fazia parte mesmo não e, talvez,
se analisarmos, nossa juventude esteja acontecendo, viu. Dá medo pensar na
idade que já temos, nas responsabilidades que vieram com a idade e da postura
responsável que não veio. Por que estamos na parte do jovem que já é adulto,
sem se dar muita conta disso. A Bárbara me chama pra morar junto com ela e meu
coração fica apertadinho, apertadinho. “Quero demais, moça!”, mas não vai ser nessa
parte da juventude. Penso que talvez, sim, ela esteja acontecendo e da melhor
maneira. Sem vícios em ilícitos, curtição de vida adoidado ou desespero, mas
com a diversão de uma adedanha no fim de uma noite cansada e, ironicamente, a
inocência se perdendo com brincadeiras. Uma fuga da realidade olhando pro mar
duma pedra enquanto a inocência novamente se perde com um homem desejando o
corpo de outro homem, quase nu, meio molhado. “Que que você estava pensando,
Alice?” “Ah, tanta coisa!” e um suspiro. Suspirei também por que era tanta
coisa mesmo. Mais do que já pensei nesses ônibus que eu pego...
Minha relação com
ônibus é dúbia. Gosto e não gosto. Por que ônibus pra mim representa duas
viagens. O deslocamento e a criatividade. Ele é a minha inspiração. Crio, imagino,
converso comigo mesma, até rio alto do que penso. Já chorei também. E é bom. Eu
sinto estar em paz com quem eu sou – pessoa lúdica que gosta de brincar, criar,
imaginar. Quanto mais longa a vigem mais viagens acontecem. Porém, se o negócio
é ônibus a noite, com a necessidade de dormir numa de suas poltronas
desajustadas, eu passo. Começa a briga. Sento, deito, viro, não tenho colo, não
tenho ombro, nem mão. Eu quero viajar pro Rio de Janeiro outra vez, mas quero
ir durante o dia, igual eu fui pra São João Del Rey, reparando cada plaquinha
das cidades que passávamos, cada igrejinha; cada folha de árvore. Pra ver se eu
consigo conhecer direito esse meu Brasil. Familiarizar com a estrada, igual me
familiarizei com o pedágio perto de Itaúna. Cidade que eu olho e penso que a
Laura não está mais ali. Ela também já foi embora... Quero saber os nomes das
rodovias e, quando for a hora, conseguir pegar a minha própria condução e sair
de novo, sozinha, e ir... viver por mim mesma. Mas nesse dia, não sei se terei
dia de voltar.
Viajar eh bom! Mas n digo viajar de carro, mais sim na imaginação, onde n pagamos pedagio e a gasolina n eh R$3,50...
ResponderExcluirahahahahaha mt bom mesmo viajar na imaginação. Por enquanto não paga imposto
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