Os janeiros se repetem quanto à saudade e à ansiedade.
Os amores se renovam; os amigos se mantêm. A paciência... não existe. Falta
pouco, é o que o novo janeiro me diz. Assim como o outro, na cama do hospital, também
dizia. A diferença é que o reencontro tem data marcada e eu não vou abrir mão. Voltar
pro pão de queijo. Abandonar a Polar. Eu sou convidada a me mover. Porto Alegre
ainda me chama mais que São Paulo ou Bahia, mas Minas.. Minas grita!. Mas são
duas da manhã e a minha cabeça dói. Fugir, fugir, foi o que eu quis e o
esconderijo é exposto. O paradoxo entre os dêiticos de lugar é que nunca
fizeram sentido pra mim. Sinto na pele o desespero do lá e do cá.
Minhas raízes estão no ar. Minha casa é
qualquer lugar.
Assim como quem me roubava em Minas era a
lua, no Sul passei a prestar mais atenção no vento e, aqui, ele bate manso. Eu
sempre procuro lugares altos para me distanciar das confusões. Eu que não fumo
peguei um cigarro e sentei na janela e aquele vento que não servia só pro
cigarro queimar mais rápido me arrepiava. E eu sinto.
Eu estava no topo do mundo. E o mundo era
Porto Alegre. Por mais que eu queira muito ir embora hoje isso não significa
que eu não queira ficar.
E eu sinto que eu resisto e recuso um convite
para um rompimento. Essa barreira é muito maior e também me prende. Eu preciso
de forças e eu não sei onde conseguir. Paz espiritual pra manter a paz mental
que aos poucos eu volto a perder.
A falta de rotina pesou. Pesou tanto que não
conseguia levantar. Qualquer esforço maior era fatigante. O Incentivo vinha de
um longe perto que sempre manda um cheiro pra saber se eu estou bem. E a
recompensa. Esta vinha dos encontros empolgantes, frequentes e quentes. É difícil
achar quem bota fé na sua.
E eu sinto toda a minha intensidade nas
minhas costas agora. Tudo exige muito e eu quero viver tudo de uma vez. Antes
de me deitar, eu preciso transferir algumas energias dos meus membros que estão
doloridos de tanto sentir. Preciso acelerar meus pensamentos e viajar no tempo.
Eu fico tentando carregar o mundo e tenho inveja de Deus, então o meu corpo
fica mais pesado do que ele geralmente é. O tempo que Ele desafia eu usei pra
ir até mim, naquela árvore, e dizer: pode acreditar que vai dar certo. O tempo
é mesmo complicado! Eu vou perdendo as energias a cada situação repentina que
eu tenho que enfrentar enquanto carregar o mundo já absorve muito. Por isso o
contato com pessoas me é tão importante! É minha fonte de energia. Eu me
desgasto, eu me renovo, me recarrego, sempre quando a energia é boa. É bom
quando você recebe energia e quer passar energia boa. É reciprocidade. É como o
pedal da bicicleta.
Sabe o beija-flor? É as coisas boas que ele traz
pra casa da gente. Sabia que o meu corpo é meu? É minha casa. E Beija flor é
consciência do corpo. Ah, vocês nem imaginam a diferença quando se tem espelho
em casa. Eu quis mesmo ter noção de mim. A noção de existência deixa o corpo
tremendo. Eu consegui me perceber! É bom você se olhar no espelho e ver que
você É algo que um dia você quis SER. Rebolar bastante e se sentir atraente.
Um mulherão danado! Que raridade!
Eu não só sou. Eu me tornei.
A sentença de quem não tem lugar é a saudade.
Todo começo é uma despedida. Já a recompensa é o abraço de quem espera. Não
falo de aprendizado porque o processo ainda não terminou. Mas agradeço!
Nenhum comentário:
Postar um comentário