Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Lá e cá

Os janeiros se repetem quanto à saudade e à ansiedade. Os amores se renovam; os amigos se mantêm. A paciência... não existe. Falta pouco, é o que o novo janeiro me diz. Assim como o outro, na cama do hospital, também dizia. A diferença é que o reencontro tem data marcada e eu não vou abrir mão. Voltar pro pão de queijo. Abandonar a Polar. Eu sou convidada a me mover. Porto Alegre ainda me chama mais que São Paulo ou Bahia, mas Minas.. Minas grita!. Mas são duas da manhã e a minha cabeça dói. Fugir, fugir, foi o que eu quis e o esconderijo é exposto. O paradoxo entre os dêiticos de lugar é que nunca fizeram sentido pra mim. Sinto na pele o desespero do lá e do cá.
Minhas raízes estão no ar. Minha casa é qualquer lugar.
Assim como quem me roubava em Minas era a lua, no Sul passei a prestar mais atenção no vento e, aqui, ele bate manso. Eu sempre procuro lugares altos para me distanciar das confusões. Eu que não fumo peguei um cigarro e sentei na janela e aquele vento que não servia só pro cigarro queimar mais rápido me arrepiava. E eu sinto.
Eu estava no topo do mundo. E o mundo era Porto Alegre. Por mais que eu queira muito ir embora hoje isso não significa que eu não queira ficar.
E eu sinto que eu resisto e recuso um convite para um rompimento. Essa barreira é muito maior e também me prende. Eu preciso de forças e eu não sei onde conseguir. Paz espiritual pra manter a paz mental que aos poucos eu volto a perder.
A falta de rotina pesou. Pesou tanto que não conseguia levantar. Qualquer esforço maior era fatigante. O Incentivo vinha de um longe perto que sempre manda um cheiro pra saber se eu estou bem. E a recompensa. Esta vinha dos encontros empolgantes, frequentes e quentes. É difícil achar quem bota fé na sua.
E eu sinto toda a minha intensidade nas minhas costas agora. Tudo exige muito e eu quero viver tudo de uma vez. Antes de me deitar, eu preciso transferir algumas energias dos meus membros que estão doloridos de tanto sentir. Preciso acelerar meus pensamentos e viajar no tempo. Eu fico tentando carregar o mundo e tenho inveja de Deus, então o meu corpo fica mais pesado do que ele geralmente é. O tempo que Ele desafia eu usei pra ir até mim, naquela árvore, e dizer: pode acreditar que vai dar certo. O tempo é mesmo complicado! Eu vou perdendo as energias a cada situação repentina que eu tenho que enfrentar enquanto carregar o mundo já absorve muito. Por isso o contato com pessoas me é tão importante! É minha fonte de energia. Eu me desgasto, eu me renovo, me recarrego, sempre quando a energia é boa. É bom quando você recebe energia e quer passar energia boa. É reciprocidade. É como o pedal da bicicleta.
Sabe o beija-flor? É as coisas boas que ele traz pra casa da gente. Sabia que o meu corpo é meu? É minha casa. E Beija flor é consciência do corpo. Ah, vocês nem imaginam a diferença quando se tem espelho em casa. Eu quis mesmo ter noção de mim. A noção de existência deixa o corpo tremendo. Eu consegui me perceber! É bom você se olhar no espelho e ver que você É algo que um dia você quis SER. Rebolar bastante e se sentir atraente. Um mulherão danado! Que raridade!
Eu não só sou. Eu me tornei.
A sentença de quem não tem lugar é a saudade. Todo começo é uma despedida. Já a recompensa é o abraço de quem espera. Não falo de aprendizado porque o processo ainda não terminou. Mas agradeço! 

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