Engraçado como a vida é injusta. O ônibus é passageiro, mas o passageiro não é ônibus.

sábado, 3 de março de 2018

Acúmulo

O problema é que para continuar nós precisamos de pausas. Esse era o intuito, esse foi o propósito. Ter o meu Ponto de Ônibus para pausar essa viagem às vezes. Fui deixando tudo acumular. Sem conseguir me concentrar em nada. E era tudo tanto!
Tenho vivido de lembranças. E de projeções. Vou vendo tudo amontoado, atropelado, instável. Sem saber se espero, insisto ou minto. Tenho optado é por sentir (“Só sente, só vai, só espera, só vive”). Só sentir sem se preocupar em registrar, seja em fotos, palavras ou pessoas. Nunca vai deixar de ser tanto. Saudade que eu tava era de sentir meu corpo inquieto, tremendo de vida, com os mais variados sentimentos transbordando e me encharcando. Adoeci de vazio. Os dias vão resumindo em jogar fumaça para dentro para ver se os pensamentos saem. Só sentir o cheiro bom de casa sendo ocupada com carinho.
As pausas são para retomar o fio que nos conduz. Vê se estamos fazendo sentido nisso que pode ser só mais um capricho ou descuido. Não ter consciência do que você é, faz você não ter consciência do que você pode ser. Aproveita, menina, que a lua ainda chama. Tudo clama! Poesia?
Sentir, eu vou sentindo. Pensar é que tenho evitado. Sobre isso tudo tenho adiado. Adiado a escrita porque as palavras machucam. A piscina porque a feminilidade é perversa. O meu quarto porque lá dentro tudo parece mais urgente. O fim para não ter que ter outro começo.
Sair, sem pensar, pra sentir o calor das ruas, as vidas, as sensações, pode ser parecido com Rir! Ler Clarice. Ler Adélia e relacionar com Cícero. Sentir. Saber argumentar. Será que naquela noite que chovia eles foram dormir com um pouquinho de mim ou ainda nem foram dormir como eu.  Foram escrever as ideias que não param que palpitar; foram pintar; meditar; ouvir um funk, sei lá, talvez nada.  Mas mentiras sinceras me interessam.
As histórias se repetem! os nossos ídolos ainda são os mesmos? Seguimos sendo os universitários perdidos que repetem a história e a força deixa a história mal contada. De repente isso de colecionar momentos é a pior das drogas.

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