Quando
a gente transborda demais, depois de um tempo também fica difícil de se juntar.
Se recolher, se reorganizar. Não é só quando a gente se quebra de uma queda
alta que fica tudo espalhado. Achar o fio que nos conduz não estando em si
também requer empenho. E é bom sair de si! Esquecer da hora falando de
possibilidades. Beber numa segunda, conhecer o poder do raio, ser pega sem saber
reagir a um sorriso.
Parar
de ser exigente com a raridade me fez aproveitar. A felicidade está nos
detalhes. A perfeição é questão de ponto de visão. Venho de sequência de dias
com emoções diversas. E tenho sim sentido uma empolgação, uma calma confiante,
me sinto participando, me sinto construindo, caminhando, colaborando. Vivendo.
Aproveitando a juventude patética que nos é imposta. O amor tem sido próprio. Olha
que momento raro: estou na melhor fase de mim. Continuo dispensando a vida
eterna e focando nisso aqui. As recompensas não são presentes imediatos, mas
são breves como os mortais.
Ficar
indisposta também é desafio. Mesmo transbordar exige uma disposição de energia.
Requer força e estrutura apta a segurar carga grande. Mas sabe, é que a falta
de hábito a certas sensações requer prática. Comer o mundo as vezes pesa. E eu
quero tudo de uma vez.
Tento
recarregar essas energias em momentos diversos. Seja fazendo comida pra agradar,
seja em troca com quem abraça longo, seja rindo. Seja olhando a lua que nasce
entre os prédios belorizontinos numa noite que venta. Onde você está agora?
Como você está agora? O que está acontecendo com você nesse momento? Quais
sensações passam por esse corpo pra te mostrar que você está viva? Você está
feliz? Seja sendo.
Daí
que a gente vai tentando preencher paredes brancas com o colorido dos postits
que lembram de dias, sensações. Registrar descarrega. E renova. Relembra e provoca
um sorrisinho que anima pro dia longo.
Arrumo
a cama, quando acordo, por capricho. Pela pura beleza de chegar em casa e ver
alguma coisa tão arrumadinha em dias de confusões. Já me reconhecem por ser a
menina que divide tudo em cores. Eu me reconheço como a exagerada que, de tanto
chapar de amor, chora.
O
problema é que eu gosto de ver as coisas prontas, então me desespero. O que
ainda não aprendi é que nunca vai ser atemporal. Eu digo mesmo, digo pra não
deixarem de criar expectativas porque ajuda a não aceitar menos do que merece. Da
queda, o negócio é tentar pousar sem despencar. Mas sem medo de se multiplicar.
Agora eu também estou espalhada. Sou várias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário