Querida
Sarah, eu já devia ter revelado abertamente, desde o início, que meu blog foi
feito para você e não apenas deixar subentendido em cada postagem ou em cada
diálogo indireto com seus textos.
Faço agora.
Por que,
primeiramente, assumimos que somos almas gêmeas da escrita e, agora, por que
constatamos que somos almas gêmeas do amor, decidimos nos casar e fazer a união
dessas almas separadas no nascimento, permitindo a elas, agora, viverem suas
etapas e crescerem juntas.
Um
amadurecimento e todas as conquistas juntas por que não é fácil se sentir
sozinho, não é? Pensar que talvez ninguém notaria nossas ausências se
decidíssemos sumir por alguns dias... já que não sabemos direito aonde ficam
nossas casas e não há ninguém que entenda esses nossos horários corridos. Por
isso iremos nos juntar. Pra termos esse cuidado mútuo.
Eu queria
ser essa pessoa que vive um amor bonito e não essas misérias. Nem que fosse uma
paixão, mas recíproco. E fazer coisas que engrandecem a alma por que fico me
sentindo vazia toda vez que não me permito atravessar a rua sem ser na faixa. E
deve ser muito melhor quando é reciproco. Nunca falei de namoro e sim de uma
entrega mútua com assumo de riscos. O que a metáfora do casamento assume.
A vida é
muito solitária, Sarah, faz falta isso. São fases. E a nossa de algum tempo
atrás se desfez ao percebemos essas buscas vazias de prazeres efêmeros. E
começamos a sentir preguiça dessas obrigatoriedades pós funk e porres. Se você
fosse lá, conversasse sobre a vida, conhecesse um pouco, tivesse a oportunidade
de conhecer mais e depois beijar, seria legal. Por isso que eu falo, nem
monogamia eu gosto muito, porque gosto de ter a opção de conhecer outras
pessoas, apesar de ser muito ciumenta e de odiar a ideia de que podem ser
felizes sem mim.
Que um dia,
então, possamos atingir o grau de maturidade nesse nosso amor, para que não
precisemos estarmos a sós. Apenas ter esse sentimento que é tão bom: querer
conhecer mais uma pessoa e gostar do que vai acontecendo, cuidar dela, sofrer
com os problemas dela mais do que com os seus. Ter não uma individualidade, mas
uma recorrência.
Não estou
sofrendo por ninguém, estou sofrendo por situações. Mas acho que não se deva
privar de sofrimento. Se você tiver sofrendo por alguém, sabe, Sarah, que sofra
por alguém. Não precisa demonstrar falsa força.
Ainda não
derramamos lágrimas. E esse é nosso encontro pra poder chorar de amor ou da
falta dele. Pra poder consumar a promessa de virada de ano. E a carta é essa,
minha amiga, minha pré esposa, minha autora favorita, essa é a carta sobre o
mundo que não nos entende e sobre uma conversa despretensiosa, mas muito cheia
de poesia.
Até breve!
Com muito
amor, da sua Cássia.

